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A coisa que mais me irrita

A coisa que mais me irrita

28
Mar19

é preciso estar atento e forte

PV

A coisa que mais irrita uma alma conservadora e liberal (ma non troppo) à moda antiga, como a minha,  são os perigos reais para as nossas liberdades públicas emergentes de iniciativas bem intencionadas.

 

Nos últimos tempos têm-se multiplicado os organismos que, com duvidosa constitucionalidade, tentam cercear a liberdade de expressão, através da ameaça e da efetiva interposição de coimas, multas e pendências. Ao serviço dessas organismos - cujos dirigentes vêm, em regra, do ativismo social - temos os idiotas úteis, com largo espaço nas redes sociais.

 

Numa sociedade liberal, respeitadora dos direitos humanos (como a inglesa ou a norte-americana), a ação dos indivíduos tem como balizas os princípios constitucionais e o direito natural. Numa sociedade pouco respeitadora dos direitos humanos - designadamente as que entendem direitos humanos à francesa, hipostasiados, metafísicamente concebidos - o Estado tende a imiscuir-se na vida dos cidadãos, regulamentando ao detalhe o viver social, familiar, interpessoal e íntimo.

 

Nas sociedade liberais, advogadas dos direitos cívicos, a liberdade de expressão sobrepõe-se aos pundonores dos ofendidos e a asneira e a patetice são livres. Em final de linha, existem os tribunais que, nessas sociedades, consubstanciam um verdadeiro jogo de Partes. Numa sociedade à francesa - como a nossa -  pululam as instâncias não jurisdicionais que, não obstante, julgam e julgam forte.

 

Um dos organismos perigosos para as nossas liberdades pessoais chama-se Comissão para a  Cidadania e Igualdade de Género, e que dá pelo singelo e querido acrónimo de CIG. Esta é mais uma daquelas estruturas que querem, à outrance, melhorar o pobre cidadão português, corrigir-lhe a linguagem, salvá-lo dele próprio - alarve portuga, machista e racista - e, à letra, penitenciá-lo. Usam o poder do Estado para a sua agenda ideológica e urbanita, como se o que defendem fosse ciência certa. Todos sentiremos o seu peso, um dia, a começar pelos humoristas.

 

Eu sei que não se deve abusar da palavra, mas isto chama-se, pura e simplesmente, fascismo!

24
Mar19

lusa atenas

PV

Uma das coisas que mais me irritam é a balada de Coimbra, erradamente chamada de «fado». Aliás, já me irrita supinamente que chamem fado à balada de Coimbra, quando a musicologia já demonstrou que nada tem a ver com o dito.

A balada de Coimbra é insuportável: as vozes mal impostadas, frequentemente o poemazito tosco , a postura ridiculamente hierática, o derrame, os "portamentos", a própria ideia de Academia de antanho, a tricana, a «Samaritana», o «Hilário». Um horror!

É claro que haverá sempre José Afonso. Ao resto - a própria Amália cantou a canção de Coimbra - algo em mim se irrita.

17
Mar19

equívocos

PV

A coisa que mais me irrita é irem ver um fulano que dá pelo nome de Rieu e acharem que aquilo é musica erudita. Aquela coisa é o pimba do clássico, e está para a grande música como Zefirelli estava para o cinema de autor ou José Rodrigues dos santos (quem?) está para a literatura.

 

14
Mar19

você

PV
A coisa que mais me irrita é a generalização do «você». Embora haja, talvez, que distinguir o você ostensivo e ofensivo do uso do você por ignorância, a generalização do (des)tratamento por "você" é um sinal da ausência de gentlemenship. Agora o funcionário do call centre, o técnico da TV Cabo ou o polícia tratam-nos amavelmente por você.

 

Pior ainda: tratam-nos pelo nome próprio, como se tivessemos sido colegas de escola ou da costura ou então gastam-nos o apelido à custa de tanto o repetir.

 

Desgasto-me com estas irritações!

 

 
14
Mar19

A lição de Beckett

PV

"Não inventamos nada, julgamos inventar quando na realidade nos limitamos a balbuciar a lição, os restos de uns trabalhos escolares aprendidos e esquecidos, a vida sem lágrimas, tal como a choramos. E bardamerda."

S. Beckett, Molloy

07
Mar19

a invenção da pólvora

PV

A coisa que mais me irrita é a pose daqueles que julgam que inventaram a pólvora.

Porque, por um lado, "nihil sub sole novum", diz o Eclesiastes na Vulgata.

Por outro, fora da ciência dura, pouca coisa se inventa, de facto.

Por outro, ainda, em regra o autoconvencimento da invenção não passa de presunção ou, na melhor das hipóteses, de que não se leu tudo o que havia para ler.

Conheço alguns desses.

07
Mar19

Os activistas II

PV

A coisa que mais me irrita - ainda mais que o ativismo de comício, manif e concentração - é o ativismo de cama e pucarinho, isto é, o ativismo ativado pelo post da ordem na rede social conveniente.

Vivemos tempos terríveis, em que é de bom tom colocar a foto do facebook em negro se houver uma tragédia algures no mundo, convenientemente longe, seja esse longe o mediterrâneo de desgraças várias, o bairro social onde nunca entrei, a mulher destratada pelo juíz indigno da beca que veste ou o amor de criatura canina que matou a criança e que, por ser animal, não se concebe que possa ser abatido.

E ai de quem não tiver sido charlie, ai de quem não se penitenciar todos os dias por ser cúmplice do patriarcado, ai de quem não se indigne alto e bom som com a desdita da mulher maltratada ou do gay conveniente.

Nada disto tem a ver com a necessária compaixão - palavra que o ativista detesta pela sua conotação católica, como detesta a palavra caridade - com as vítimas deste mundo. Mas convinha fazer menos barulho inconsequente e começar a fazer alguma coisa. "Que fizeste do teu irmão?"

02
Mar19

AO

PV

A coisa que mais me irrita é o acordo ortográfico.

Razões: 

1. gosto muito de etimologias

2. irrita-me não encontrar as palavras em pesquisas porque elas se escreviam de outra maneira, ou porque agora se escrevem de outra maneira

3. Porque me engano a ler conceção e palavras-que-tais

4. Porque detesto resultados inconsistentes, como escrever Egito e dizer egípcios (aliás, deviamos dizer egipcíacos, como a famosa Santa-Prostituta, ou siríacos)

5. Porque sou conservador

6. Porque na língua não se toca nem com uma flor

 

01
Mar19

Os activistas

PV

A coisa que mais me irrita são os activistas.

Antigamente havia gente que se empenhava em políticas sociais abrangentes, que militavam na luta política ou nos movimentos religiosos.

Agora temos activistas, em regra de questões muito sectoriais, de preferência muito fracturantes.

Da luta de classes, da defesa da democracia, da "opção preferencial pelos pobres" já nem se fala.

Ficou o barulho ensurdecedor do activismo da igualdade de género, do poliamor, dos supostos "direitos dos animais", da legalização de drogas várias, de causas-sempre-alternativas-que-há-que-normalizar e coisas-que-tais.

Tudo gente que me irrita!

 

 

 

 

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